E a chi scrive nei giornali dicendo "no" alla ricerca, posso solo chiedere: evitate l'ignoranza, informatevi, conversate con i familiari, visitate le associazioni di malati, aggiornatevi sui benefici delle ricerche e schieratevi dalla nostra parte, che e' la parte della vita, della salute, della compassione e dell'etica".
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Jornal de Brasilia, 24/02/2004
Deus e a pesquisa com blastocistos
Andréa Bezerra de Albuquerque
Leio assustada as cartas de pessoas aos jornais, se mostrando contra as pesquisas com células-tronco embrionárias. E todas falam de preservar a vida do embrião! Que tal falarmos da vida das pessoas acometidas por doenças degenerativas?
Eu não posso imaginar que uma pessoa que defende a preservação de cem células congeladas já viu uma pessoa com esclerose lateral amiotrófica. Já viram?? Duvido! Porque isso as tornariam monstros, monstros que preferem matar adultos ativos até cinco anos, monstros que preferem ver um menino parar de respirar porque o diafragma perdeu totalmente a forma muscular. Esclerose lateral amiotrófica? Não, já estou falando de outra doença, chamada distrofia muscular de Duchenne.
Brasília é muito bonita e organizada, mas os deputados que disseram não à pesquisa nunca ouviram os cientistas, e jamais, isso eu tenho absoluta certeza, escutaram o relato de uma mãe, nunca viram uma criança com atrofia espinhal progressiva tipo I (aí está outra doença). E em nome de Deus disseram não às tão promissoras pesquisas.
Eu não sei o que eles imaginam que a comunidade científica queira fazer. Quando existe um processo de fertilização assistida, algumas células fecundadas são inseridas no útero da mãe. Outras, por serem malformadas ou pela quantidade inadequada, ficam congeladas ou são descartadas.
Estas células, congeladas e descartadas, são uma fonte de vida, não para uma nova vida, porque nunca serão inseridas no útero da mãe, mas para uma chance de nova vida a todas essas pessoas com doenças degenerativas. É isso que a ciência quer: as células, já chamadas de milagrosas. No Movimento em Prol da Vida (Movitae) nunca falamos que isso é a grande cura e ponto final. E é isso que magoa. Quem diz não a nós, diz não à possibilidade e significa tirar a esperança de tanta gente. E ninguém tem direito de tirar a esperança da gente.
Que Deus é esse o deles? Em nome de que Deus esses deputados das bancadas evangélica e católica vetaram a pesquisa com blastocistos sem nem ao menos saber o que é, como é feito e quem isso poderá beneficiar. Cabe ao Senado retificar o erro. Senadores, essa é literalmente uma questão de vida ou morte.
E a quem escreve aos jornais dizendo "não" à pesquisa, só posso pedir: evitem a ignorância, informem-se, conversem com as famílias, visitem as associações de doentes, saibam os os benefícios das pesquisas e fiquem ao nosso lado, que é o lado da vida, da saúde, da compaixão e da ética.
Andréa Bezerra de Albuquerque é presidente do Movimento em Prol da Vida (Movitae) e conselheira da Associação Luca Coscioni.